Quase sempre, quando nos encontramos em meio a um grande acontecimento
histórico, não nos damos conta da totalidade da importância de um fato. Ver
discussões acadêmicas serem cerceadas nos causam impactos pessoais assustadores
– em sentidos diversos -, mas não maiores do que o impacto sofrido por nós como
sociedade.
Há limite ao pensamento humano? Certamente que não; entretanto, há de
haver limite ao que é aceitável circular por entre nós, tanto em meios formais
quanto em meios ditos informais, e esse limite deve ser definido pelos Direitos
Humanos. Não podemos, jamais, enquanto sociedade, permitir que os limites dos
Direitos Humanos sejam ultrapassados sob qualquer – eu disse qualquer! -
pretexto; pois não há progresso científico algum quando há violações à dignidade
da pessoa humana.
Pense bem, já vimos – enquanto espécie – isso acontecer
diversas vezes na nossa história, e o resultado foi sempre desastroso para nós.
A própria história dos impérios está aí para nos provar que nós, seres humanos,
sempre nos valemos do discurso do progresso para levar a outros povos, outras
comunidades, outros grupos ditos “menos evoluídos” a iluminação de nossa cultura
“superior”, nosso saber “superior”, e o resultado foi invariavelmente o mesmo:
poder e aniquilação. Pense nos circassianos, nos ameríndios, nos judeus. Quando
vamos parar?
Caso preservemos irrestritamente a liberdade de tais ideias,
estaremos apenas perpetuando nosso trágico histórico aniquilador, sob o qual
nenhum de nós pode estar completamente a salvo; Logo, tal cerceamento faz-se
irremediavelmente necessário sempre que discursos potencialmente danoso à
dignidade da pessoa humana estiverem em questão; pois tais discursos não devem
encontrar espaço entre nós; não devem transitar por nossos meios livremente,
mesmo quando eles invocam para si o pretexto do progresso científico.
Porém,
pela primeira vez a sociedade passou a olhar atentamente, pelo menos aos
discursos oficiais circulantes nos meios acadêmicos, e passou a usar
deliberadamente da ferramenta do cerceamento, da censura, mas não uma censura
qualquer: uma censura moral. Pois, se a lei preserva a liberdade da expressão, a
sociedade deixa claro que não tolerará abusos. E isso, meus caros, é um
verdadeiro acontecimento histórico.


